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Certos dias


Tem dias que, para sentir-se vivo, é preciso saltar de paraquedas, correr uma maratona, atravessar o canal da Mancha a nado, escalar uma montanha. Tem dias que, para sentir-se vivo, não é possível apenas acordar, tomar café, ler, pensar. É preciso ir ao Japão, à Índia, à Indonésia, sozinho! É preciso perder-se nas ruas, ouvir a língua estranha. É preciso não entender. Sentir-se pequeno, insignificante, em um templo gigantesco. É preciso quase sumir. É preciso não saber se vai voltar.

Em alguns dias, a claridade do sol, a pequenez do dia a dia, não traz vida, não é suficiente. Tem dias que nenhum sorriso, nenhuma palavra, nenhuma cor apaga a mácula da dor, da perda, da separação. Não há distração suficiente, não há projeto que faça sentido, não há empenho que, nesses dias, valha a pena. Toma-se conta dos projetos, empenha-se, mesmo assim. Investem-se energias, cumprem-se obrigações, doam-se carinhos, buscam-se forças, mesmo assim.

Há dias em que é preciso, no entanto, na impossibilidade da grandiosidade, conformar-se. Aceitar o vazio, a dor, e deixar o tempo passar. Na impossibilidade de sentar à beira mar, de contemplar as ondas, a cor das águas e do céu, deve-se contemplar o existente, deve-se aceitar o som das cigarras, mesmo que irritante, mesmo que ensurdecedor. Na impossibilidade de não proferir palavra até o anoitecer, deve-se dar bom dia, deve-se tratar com afeto os estranhos. Deve-se aceitar sorrisos, carinhos, afagos. Deve-se ignorar a indiferença, relevar as ignorâncias. Porque não serão assim todos os dias. 


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All the faces I've loved

All the faces of men I've loved visit me in the quiet night of my noisy brain All the ones I once loved and came to hate or forget or pretend to have forgotten Lost in the cloud of indifference  I've carefully created
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stop and stare Inches away and shoot their questions right between my shortsighted eyes Why? Why not? How much? How little?
They give me no time to answer
They move and vanish like ghosts of the Christmas past Some fierce and revengeful  pass on the judgement they've held in long
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I try to touch a face or another
I remember them Especially the ones I've hidden so well from myself "Hey, look at you!

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Menino Guerrilheiro

Arrumando o pequeno escritório, jogando coisas fora, abrindo espaço para iniciar a rotina de trabalho, encontrou os recortes de jornal: "Faleceu sábado de ataque cardíaco fulminante" dizia um deles. Os outros repetiam a história do ataque cardíaco, mas ela sabia, desde aquela época que essa não era a verdade. Líder estudantil do seu tempo foi  expulso da Universidade por ter opinião. Perseguido na cidade, viu roubarem os seus sonhos e resistiu. Seguiu para a Guerrilha do Araguaia, lá foi preso, torturado. Quando ela era criança, não se falava disso. Já adolescente, com a abertura, quando estudava história, ele era mencionado, junto a alguns outros amigos da família "Ele fez parte da Guerrilha. Foi preso, torturado. Até hoje passa por uns períodos de depressão." Nada mais. Toda uma geração traumatizada, não conseguiam muito falar do assunto. Tudo muito recente, talvez. O medo ainda uma sombra, logo ali, a espreitar. Ela imaginava um homem adulto, barbado, preso por…