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Origami

Fina e delicada dobradura. Branca, no meio da sala, apresenta-se diminuta, mas multiplica-se em sua sombra projetada. Símbolo da beleza que se estende de mim ao outro e a mim retorna. Pequeno gesto e presente que me traz alento e me lembra porque importa o que faço. Porque depois de escrever alguém dobra um lindo e leve Tsuru e me devolve as asas que eu ajudei a soltar.
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Crumbling youth

While contemplating the crumbling of my youth, I think of songs which once made sense. Words expressing the pointless sorrows. Drums and guitars, never too loud or too insistent, telling me to recoil or expand. Keyboards providing me shelter or direction.

The heart that hoped feels battered.The rain falling outside sounds, on the roof, like fire burning the Cerrado. It will probably bring new uninvited plants to our garden. Like the Heliconia that months ago was just a single leaf sprouting across the red dirt. That was right before we hired that gardener who killed the grass. We still hope it will miraculously grow green once more. I don’t know. I have no more money, disposition or time to seriously think about it. I have no time.
I would like to see the next intruder blooming in the garden though. I wish for something as unique as the Heliconia. If that is in fact what it is. I wish for something beautiful.
I breathe with difficulty and nothing has ever been  as I had planned. Has…

If I imagine I hold something in my hands

If you tell me to imagine I'm holding something in my hands. And if you tell me to write about this imaginary object. This thing I imagine will unavoidably be a soap bubble. I have come to terms with my obsession for soap bubbles. It does not mean I understand where it comes from. This understanding is probably part of my mission on Earth, our blue little planet floating away in the universe like one little bubble itself.
There is, perhaps,  right there an explanation in the fact that the world we live may be seen as a soap bubble from afar. Perhaps, that is a small part of the whole explanation, the impermanence of life in its large and small concerns, the frailty and beauty of our human dreams. Our imperfect connexions, our frustrated attempts to be truly seen and contemplated, our impossibility of floating towards the other without creating some kind of damage, even if unintentionally. Our flaws, our protective covers scretching against the skin of the ones we love, like the h…

Clarice disse

Clarice Lispector disse “viver ultrapassa qualquer entendimento”. Hoje é aniversário de Clarice e escrevemos todas em volta da mesa. Não nascemos na Ucrânia. No máximo, umas vieram da beira do mar e outras brotaram aqui mesmo, neste cerrado em que nascem vermelhas Caliandras. 
Em Clarice pensamos hoje. E juntas em volta da mesa, escrevemos e partilhamos escritos. Mulheres que somos, hoje, unidas em torno deste ofício de desnudar-se através das palavras tal qual o fez Clarice, embora cada uma diferentemente. 
Admiro, nelas, os cabelos que caem aos olhos, os fios que escorrem pelas nucas, as canetas que correm pelo papel seguradas por mãos urgentes, e poucas vezes hesitantes, o tec tec do teclado dos laptops. Admiro a fé e a dúvida que compartilham no humano e no divino. Reconheço sua beleza e felicito-me por partilharem comigo e deixarem um pouco de seu ver e seu viver. 
Sentadas em volta desta mesa, não interessa se somos Clarice. Não precisamos ser. Homenageamos Clarice em nossa práti…

Gentileza em tempos de selvageria

Plantar gentileza em tempos de selvageria Escolher o sim ou o não Perceber que o verde das folhas não é um único verde Cada uma em suas nuances, suas finas curvas e linhas Como rugas que caminham em nossas faces Cada tom, bandeira, água, amarelado Como os envelopes de cartas de um primeiro amor Eterno em devaneios Leve em bolhas de sabão
E o não saber o que é reto, o que é correto e certo se não o íntegro de si que é nada além da matéria do sonho e o concreto do desejo e do sexo.
Essa busca pelo que é lá no fundo de si Que salta daqui para ali Que não sabe mais ser contido em um continente oco que um dia coube o mundo Hoje vazio e entupido Como se pudesse ser tudo ao mesmo tempo que vácuo
O ontem e o amanhã no mesmo barco porque não se sabe o que é um ou o outro E toda essa história de sim e de não é tão balela quanto essa ideia de gentileza em tempo de selvageria Suportaria talvez um dia? Duraria quem sabe o sopro de uma vela esse amor eterno em fantasia

Tell them

Tell them my friends are kept awake in the dark Tell them the ones who sleep are on drugs Tell them my students come to the office crying Fearing for their love, fearing for their lives Tell them youth’s eyes show no spark Tell them we see their evil time machine Tell them the brains are calculating scape routes Tell them the shrink’s office is full Tell them I grit my teeth at night Tell them we now don't know what to do
Tell them we were doing other things when they interrupted our dream schemes We were writing poetry taking photographs dancing on the streets raising humanity in our kids Tell them they disturbed our love making and shattered our  loving dreams
Still, tell them they won’t be there forever Tell them they can never ever win Tell them hatred is always temporary Tell its pesticide poisoned fruit is rotten And will not thrive
And you can tell them they can hurt us, tell them we know, because we love They can torture us because we love They can kill us …

Para dentro é para onde vou

Lavando os copos e as taças de espumante que deixei para depois, os copos e taças da última Oficina que coordenei e repousaram ali no fim de semana. Sábado brindávamos o sentimento bom de criar e compor o mundo, de partilhar e acolher o outro. Domingo votávamos e hoje lavo os copos e taças do sábado. Enquanto lavo, me pergunto, como seguirei um trabalho que pretende abrir caminho para a voz de cada um, a voz única consonante e divergente de cada um em um mundo que só quer ouvir “Sim, senhor!” Será possível por muito tempo continuar construindo o que só pôde ser imaginado após as portas se abrirem?
Lavando os copos e as taças, precisei parar, sentar e aqui colocar para fora o que me vai por dentro triste. Não quero conviver mais com tanta gente, não quero mais saber o que tanta gente pensa. Não era assim que vivíamos antes das redes sociais e não somos obrigados a viver assim. Nos últimos tempos, nos últimos votos, fui apresentada ao que pensa gente demais, gente educada, simpática, ge…

Edson, o Gênio

Edson era muito esperto!
Mamãe sempre dizia.
Tudo o que falava,
ela logo alardeava:
"Não é um gênio?!?"

A família era cegueta
E em terra de cego
quem tem um olho é rei
ou o capeta!

Edson acreditava que o que via
com seu olho só
era tudo o que havia
E assim prosseguia!

Mas Edson dormia no ponto
Perdia todos os bondes
E comia tantas, mas tantas, bolas
que um dia rolou ladeira abaixo
e se acabou no precipício.

Fim do Edson!
Amém!

Pilha

Pilha pra carregar brinquedo
Pilha pra funcionar relógio  Menino pilhado  que tem formigueiro na bunda  sem botão de desligar
Botar pilha em amigo  Pilhar alguém pro bem ou pro mal  Acabar a pilha da motivação  Chorar o saque e a pilhagem
A pilha de roupa no tanque A pilha de conta a pagar  Estar uma pilha de nervos  Trocar a pilha da lanterna  pra no escuro não ficar
E tem pilha palha E tem pilha alcalina  Que faz Coelho bater tambor  Pra vida toda e mais um dia  E quem quer tambor de Coelho pra sempre? Um dia a pilha tem que acabar Nem que seja pro Coelho descansar

Resisting in Poetry

“The real poet is always a resistance force. The false poet, however, regardless of the causes he argues to advocate, is always conniving”, the Portuguese writer Sophia de Mello Breyner Andresen stated this in an interview in 1963. One year previous to the military coup d’état suffered by Brazil  which brought us twenty years of dictatorship and an authoritarian and antidemocratic inheritance that keeps so many of us still hostage  as if we were still living a Stockholm syndrome of sorts.

Today, 2018, her words comfort me in my poet’s fate, in my truth and in the fact that I stand surrounded by other very real and resistant poets. We resist together, seeking light in these dark times, in the search of a country where love would be the empire and diversity would triumph. It is in diversity that beauty resides, it is in beauty that poetry inhabits. The beauty found in our day to day struggles, the beauty found in the truth and battles we face, the beauty found in the sweat of our labo…