Skip to main content

On straight lines, gremlins and soap bubbles

I envy people with linear lives, no curves, potholes, u-turns. They move in straight lines, these people, satisfied. No questions, no doubts, no furies. Always satisfied, these people. I, myself, am crooked, confused, mutant. I feel imeasurable angst, restlessness. I have uncountable urges.  Insomnia, I have insomnia. I worry about the flapping of wings of a butterfly in Tokyo. I travel through time and space. I have dreams of lightness and transparence. I have desires and fears. 
Infinite fears reside in me. I face them, I hide them. 

They multiply, my fears, as gremlins. You know, gremlins? I breathe with difficulty, a lump in the throat, a scream that I can't let out, choked in. Threads of thoughts intertwined, feelings, entangled in such a manner that I cannot tell where one starts or where the other ends.  

So, I create stories. I make them up, I exaggerate, I do not stop. I come and go, I come and go. I do not sleep. I count stars, I hum songs, I do not sleep.  I feel, I suffer, I know nothing of myself. Everything, too much. Everything, too little. 

A giant, light, beautiful soap bubble floats.  At any moment it can burst, the bubble. The soap will sting my eyes. Momentarily blind, I will be groping around, aimlessly. All because I dream, awake, of soap bubbles. 

Comments

Popular posts from this blog

Maio, 2017 - Fim de tarde em Brasília

Um burburinho de barzinho no fim de tarde. Tudo parece igual. Amigos se encontram no Café, grupos ocupam as mesas maiores. Adoram sentar-se ao lado de quem lê um livro, de quem está só. Desconfiam dessa solidão e afrontam-na.Alguém solta uma gargalhada alta.Tudo normal, tudo como antes.
A música contorna as conversas e risadas: “Cai o rei de espadas, cai o rei de ouro, cai o rei de paus, cai não fica nada…” Nada é, na verdade, como antes, como o dia de ontem. Hoje, o ar que se respira é grosso, agressivo e sufocante. Nada, abaixo da epiderme do mundo está igual. A brisa leve não engana. Refresca o corpo, mas a alma treme.
Agora, toca Roda-Viva. “Como pode? Ontem mesmo era ano 2000.” Quando o golpe se deu e as ideias estapafúrdias começaram a surgir com projetos que tinham o nome de músicas da minha infância, regravações dos anos 80 começaram a entupir os programas de rádio. Hoje, Elis e Chico ressurgem nesse Café, fazendo o sentido que já não faziam há tantos anos. Apertam o meu pe…

Recém casados

Recém-casados, um apartamento de dois quartos para um casal. Parecia muito, a princípio, um privilégio. Não tinham filhos. Tem gente que mora em um quarto e sala com oito meninos. Dormem uns por cima dos outros, amontoados, redes por cima de redes. Eles tinham um escritório. Olha o luxo! E uma cozinha americana!

O problema é que para onde ela se virava, lá estava ele, um sorriso nos lábios e aquele olhar tranquilo. E tudo que ela pensava era: "Meu Deus, agora para onde eu me virar vou dar de cara com ele? Ganhei essa sombra! Aff!" Disfarçava, sorria de volta, um sorriso daqueles que não mostram os dentes, só empurram as bochechas para os lados. Até que acordou um dia e foi escovar os dentes, a pasta de dentes apertada no meio.  Deu um grito. Ele correu para a porta solícito. Era demais! O rosto queimando, berrou: "Olha, assim não dá! Eu preciso do meu espaço!" 
Saiu marchando, bateu a porta, andou uns 20 minutos em volta do quarteirão. Quando a respiração voltava ao…

Lembranças, mudanças e rumos

Uma amiga me diz que nos anos setenta, houve uma infestação de ratos em Brasília e que eles saiam pelo ralo do bidê  e entravam nos apartamentos da Asa Norte. Ela pergunta se eu não me lembro. Não lembro. "Mesmo? Não lembra?" Não lembro.

Não lembro da infestação, não lembro de comentários, notícias. Respondo que era muito pequena, mas ela é mais nova que eu. Sorrio sem graça, sem mostrar os dentes: "É, não lembro." O que lembro é de sempre ter tido medo de ratos, mais do que de baratas. E de sempre sonhar com eles em tempos de angústia, preocupação. Uma vez vi um video de um churrasco na casa dos meus país em que tento alertar minha mãe da passagem de um rato e ela me ignora. De certo não queria chamar a atenção dos convidados para a presença do animal asqueroso que corria no canto da cerca. Não queria interromper sua cantoria e seu ensolarado dia de domingo e, por isso, ignorou completamente a fala da criança inconveniente.

Uma amiga me contou também  que já se ol…