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Hot

She could not sleep. The bed felt just hot. The windows were all opened, but there was no wind. Looking through them you'd think the end of the World had come. The light from the lamp posts illuminated the streets as usual, but there was no movement, no sound. The trees stood still, not a leaf out of place.Nobody driving by, nobody getting out of a car or walking a dog, nothing moved.

She stood up. Her nightgown was soaked. She picked up another one, a lighter one, in the drawer. She put it on and went, barefoot, to the kitchen. Lots of ice and water poured in a large glass. She took big gulps and let the water drip  through the corners of her mouth to her chest. It helped, for a few minutes. 

She sat on the couch, turned on the TV and zapped through the channels. The couch's fabric glued to her body.  She turned off the TV, got up and walked around once more.  She turned the cold water faucet of the bathtub. It felt somewhat warmer. She went back to the kitchen and filled a bucket with ice. She dropped it on the bathtub and got inside it, the lights off. She dozed off for a few minutes. She got out of the tub, put the night gown back on and laid down on the bed, wet, where she finally slept. 

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All the faces I've loved

All the faces of men I've loved visit me in the quiet night of my noisy brain All the ones I once loved and came to hate or forget or pretend to have forgotten Lost in the cloud of indifference  I've carefully created
All of them come back  filling the emptiness  of my broken beaten banal heart In this quiet night of my crowded noisy brain
They march firmly towards me
stop and stare Inches away and shoot their questions right between my shortsighted eyes Why? Why not? How much? How little?
They give me no time to answer
They move and vanish like ghosts of the Christmas past Some fierce and revengeful  pass on the judgement they've held in long
You! They shout Too bold! Too coward! Too hot! Too cold! Too little! Too much!
I try to touch a face or another
I remember them Especially the ones I've hidden so well from myself "Hey, look at you!

Quando

Quando se é a sombra de uma estrela esparramada sobre o mapa-múndi, cruzando terra e água, longe e perto de sua própria constelação. Quando se está aqui e lá, quando se tem tudo e sempre se quer mais. Quando vão-se os anéis e ficam os dedos e é possível ser "um sem deixar de ser plural". Quando se "vê a linha fina que separa aqui e ali" e, ao vê-la, não se contenta enquanto não a cruza. Quando se quer estar lá e cá e se quer amar, amar, amar.



Menino Guerrilheiro

Arrumando o pequeno escritório, jogando coisas fora, abrindo espaço para iniciar a rotina de trabalho, encontrou os recortes de jornal: "Faleceu sábado de ataque cardíaco fulminante" dizia um deles. Os outros repetiam a história do ataque cardíaco, mas ela sabia, desde aquela época que essa não era a verdade. Líder estudantil do seu tempo foi  expulso da Universidade por ter opinião. Perseguido na cidade, viu roubarem os seus sonhos e resistiu. Seguiu para a Guerrilha do Araguaia, lá foi preso, torturado. Quando ela era criança, não se falava disso. Já adolescente, com a abertura, quando estudava história, ele era mencionado, junto a alguns outros amigos da família "Ele fez parte da Guerrilha. Foi preso, torturado. Até hoje passa por uns períodos de depressão." Nada mais. Toda uma geração traumatizada, não conseguiam muito falar do assunto. Tudo muito recente, talvez. O medo ainda uma sombra, logo ali, a espreitar. Ela imaginava um homem adulto, barbado, preso por…