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Overwhelmed?

Would you help me if I stopped breathing? You don't care if I live or die, do you? Bring me water, Read me a story! Hire someone to help. Do you think she will die on the operating table? Have you thought of what to do? What will you say to the kids? Would you stay a little longer? Would you hold my hand? Who is the teacher? What are the strategies? Can I get a discount? Did you answer the messages? Did you pay the bills? Did you lock the doors, roll up the windows of the car parked outside? Did you think about that project? And 'bout the prospect of never really being what you intended to be? Did you think about that? Do you worry that more friends of yours may die? Are you afraid you won't be there? Do you text your friends in the morning to secretly check if they are alive? Are you afraid you won't hear her if she actually stops breathing in the middle of the night? Have you dried out? Will you have dementia? Will you know your name? Did you live a happy life? Why are you so afraid? Do you think you're  overweight? Do you think you're over it? Do you feel you're  overwhelmed? Do you think you're over? 

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Maio, 2017 - Fim de tarde em Brasília

Um burburinho de barzinho no fim de tarde. Tudo parece igual. Amigos se encontram no Café, grupos ocupam as mesas maiores. Adoram sentar-se ao lado de quem lê um livro, de quem está só. Desconfiam dessa solidão e afrontam-na.Alguém solta uma gargalhada alta.Tudo normal, tudo como antes.
A música contorna as conversas e risadas: “Cai o rei de espadas, cai o rei de ouro, cai o rei de paus, cai não fica nada…” Nada é, na verdade, como antes, como o dia de ontem. Hoje, o ar que se respira é grosso, agressivo e sufocante. Nada, abaixo da epiderme do mundo está igual. A brisa leve não engana. Refresca o corpo, mas a alma treme.
Agora, toca Roda-Viva. “Como pode? Ontem mesmo era ano 2000.” Quando o golpe se deu e as ideias estapafúrdias começaram a surgir com projetos que tinham o nome de músicas da minha infância, regravações dos anos 80 começaram a entupir os programas de rádio. Hoje, Elis e Chico ressurgem nesse Café, fazendo o sentido que já não faziam há tantos anos. Apertam o meu pe…

Lembranças, mudanças e rumos

Uma amiga me diz que nos anos setenta, houve uma infestação de ratos em Brasília e que eles saiam pelo ralo do bidê  e entravam nos apartamentos da Asa Norte. Ela pergunta se eu não me lembro. Não lembro. "Mesmo? Não lembra?" Não lembro.

Não lembro da infestação, não lembro de comentários, notícias. Respondo que era muito pequena, mas ela é mais nova que eu. Sorrio sem graça, sem mostrar os dentes: "É, não lembro." O que lembro é de sempre ter tido medo de ratos, mais do que de baratas. E de sempre sonhar com eles em tempos de angústia, preocupação. Uma vez vi um video de um churrasco na casa dos meus país em que tento alertar minha mãe da passagem de um rato e ela me ignora. De certo não queria chamar a atenção dos convidados para a presença do animal asqueroso que corria no canto da cerca. Não queria interromper sua cantoria e seu ensolarado dia de domingo e, por isso, ignorou completamente a fala da criança inconveniente.

Uma amiga me contou também  que já se ol…

Mulher Trófeu

Gripada, entupida, o nariz ressecado ardia ao tentar respirar, ferido.  Lenço de papel por todo lado. Aquelas bolinhas amassadas. Tinha passado o dia de pijama, um robe de flanela por cima. Arrastava o cinto do robe aberto pelo chão. O celular já tinha tocado umas três vezes. Não quis atender. Primeiro, porque não tinha voz. Depois, porque não tinha o que dizer. E era ele, ela sabia. E ela tinha certeza que ia ouvir um sermão. 
Lembrava vagamente da besteira que tinha feito. Não queria saber os detalhes. Ele sabia que ela não queria ter ido. Festa de rico chato. Uma pista de dança enorme e uns gatos pingados dançando os mesmos movimentos ensaiados, com muito cuidado para não assanhar a chapinha, nem derreter o gel. "Gente errada com a conta corrente certa!" A turma era péssima, mas a bebida era farta. "Acho que nem eles se aguentam se não encherem a cara." Provou um drink azul. Rafael conversava com um cara de sorriso tão simétrico que era impossível que fosse real.…