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Mulher Trófeu

Gripada, entupida, o nariz ressecado ardia ao tentar respirar, ferido.  Lenço de papel por todo lado. Aquelas bolinhas amassadas. Tinha passado o dia de pijama, um robe de flanela por cima. Arrastava o cinto do robe aberto pelo chão. O celular já tinha tocado umas três vezes. Não quis atender. Primeiro, porque não tinha voz. Depois, porque não tinha o que dizer. E era ele, ela sabia. E ela tinha certeza que ia ouvir um sermão.  Lembrava vagamente da besteira que tinha feito. Não queria saber os detalhes. Ele sabia que ela não queria ter ido. Festa de rico chato. Uma pista de dança enorme e uns gatos pingados dançando os mesmos movimentos ensaiados, com muito cuidado para não assanhar a chapinha, nem derreter o gel. "Gente errada com a conta corrente certa!" A turma era péssima, mas a bebida era farta. "Acho que nem eles se aguentam se não encherem a cara." Provou um drink azul. Rafael conversava com um cara de sorriso tão simétrico que era impossível que fosse real....

O pior cego, aquele que tudo vê

Com o que você  se importa? Fica aí no seu cantinho Seus queixumes faz baixinho Meio de lado Nada público Pra não parecer alterado Com o que você se importa?  Tanto pensamento Profundo conhecimento Dá pinta de reservado Tudo escondido  Tudo g uardado Mas é preciso entender Você não pode perder As possíveis concessões Os eventuais favorecimentos As potenciais benesses  Que venham a aparecer Vê Não é cego Vê Permanece mudo Vê E se faz de morto Pra tudo Tudo afunda Tudo afoga Tudo se esvai Mas sua única paixão   É sua tábua de salvação