Skip to main content

Posts

Showing posts with the label Poesia / Poetry

Meta

Carvar em si a própria história Que linhas sejam  infinitas e tantas  que  a o fim não sobre centímetro descoberto Sentar-se então  sobre crenças e sentimentos em equilíbrio leve e sutil Alcançar a paz de saber-se vivo e vivido  De guardar em si o de onde veio E levar-se junto aonde quer que se vá. 

De onde vim

Eu vim de azulejos portugueses, Guaraná Jesus  e chiclete ploc.  Vim da casa avarandada de cerâmica fria e brisa morna,  de banho de bica e de chuva no quintal  Sou o Babaçu que ondula Eu vim de torta de camarão e banho de mar De Santos e de Sales  Sou de verdades ditas na cara e de choro fácil De não usar calça de veludo deixando a bunda de fora e não se abaixar muito porque o fundo aparece Eu vim da ilha, do caranguejo na água fervente, do peixe frito com farinha d’água Vim de quem fumou desde os catorze e morreu de câncer de pulmão,  de quem encheu cinco livros de palavras para esquecer de todas elas Eu sou do Hospital Português, das vastas brancas areias e das águas turvas do mar.  Baseado no poema Where I’m From de George Ella Lyon 

2020

2     - 0     - 2 - 0     Números que se repetem e intercalam 20  e 20  Como jovem, como juventude,  como dois e dois são quatro 2+0 é 2,  2 + 2 = 4,  mas se dividir por 2,   É 2, de novo!  Não vai dar pra andar só esse ano. É melhor andar, pelo menos,  de dois em dois. 

Retrospectiva

2 idiotas, um na presidência,  um logo abaixo, fora os outros  dois estrupícios, um aqui,  outro lá  0  contribuições para a UNE Zero grana para facilitar um movimento Zero vírgula sete por cento de desenvolvimento  Zero de vergonha na cara da mídia comemorando “a retomada” 1 povo desanimado e adoecido Um povo louco na rua pedindo volta da ditadura  Um dia para celebrar uma injustiça semi remediada  Um dia para se alegrar 9 vezes pensei em desistir, em partir Nove vezes me lembrei de resistir, de persistir Nove escritores no máximo é o que cabe aqui  Mas nove vezes nove vezes nove vezes nove vezes  Nos levarão a algum lugar  Quando ou depois de 2020 chegar 

Esse amarelo

É como sol de verão É como ouro de mina É vestido de praia  com flor vermelha, folha verde É a leveza e a alegria, que fácil, anos atrás, hoje,  não vem sem esforço É sorriso  de menina moleca  que corre e dá estrelinha  E aprende sozinha  É vitamina D na pele  É vitamina C borbulhando  na água gelada É correr, rindo, pulando  e se jogar no azul do frio mar É a bolinha do biquíni,  tão pequenininho  É a sombrinha que enfeita  o drink multicor   É o manto de luz que cobre o dia É a  estrada de tijolinhos  que vai  daqui para Oz É a vela do barco que me leva  a um lugar mais feliz

Folha

Fora folha Verde, vívida, pulsando luz em foto e síntese Fora folha Agora, é hora de ser outra coisa da matéria dos sonhos, fina transparência Fora folha Agora, esboço de artista Delicados detalhes de um dia em que fora Folha, fina, finda lenta, transparece o interno Resta, só, a ilusão do que um dia fora folha Resta a raridade do que teve raiz, que dançou com o vento,  que caiu das alturas Fora folha, transparente sendo, quase, hoje já não é mais . É jóia, bela, É outra, é paz.

Canto M(eu) - A bilingual reflection on being me.

Sou o tipo de pessoa que não sabe de onde é ou o que lhe define. Saí cedo de onde nasci e cresci em outro canto, com gente de tanto canto, que também não sei se eles mesmos sabem de que canto são. Eu não sei. Por um tempo achava que esse lugar para onde fui trazida era o melhor lugar: “Nesse país lugar melhor não há”. Acho mais não. Acho mais nada, porque por outros lugares andei, em outras paragens parei. E muito que admirei belezas e singelezas “que não encontro por cá”. O que sei, hoje, é que se sou esse tipo de pessoa sem canto pra chamar de meu, faço meu canto dentro do meu próprio eu. ... I’m the kind of person who does not know where she’s from or what defines her. I left early the place where I was born and came to grow up in yet another place, with people from such different places, that I don’t know as well if they themselves do know to which place they belong. I don’t. For a while I thought this place they brought me to was the best place of all place...

Edson, o Gênio

Edson era muito esperto! Mamãe sempre dizia. Tudo o que falava, ela logo alardeava: "Não é um gênio?!?" A família era cegueta E em terra de cego quem tem um olho é rei ou o capeta! Edson acreditava que o que via com seu olho só era tudo o que havia E assim prosseguia! Mas Edson dormia no ponto Perdia todos os bondes E comia tantas, mas tantas, bolas que um dia rolou ladeira abaixo e se acabou no precipício. Fim do Edson! Amém!

If there is silence

And if there is silence I will take my time and look at you I will feel your face between my hands and I’ll hope you’ll look back at me And in this waiting In this looking at each other I won’t find my way back And you too will lose yourself And if there is silence The uncertain route The awaken awareness will take us back to where we started Fragments of expanded light will illuminate the absence of sound Clocks will move its insane hands backwards The world in shock will watch us,  perhaps in ecstasy, perhaps in panic, You and I, in this time travelling You and I, back, to the first moment,  You and I, beginning from the beginning If there is silence

Se houver silêncio

Se houver silêncio Vou te olhar com calma Sentir sua face entre minhas mãos e esperar que também olhe para mim E nessa espera De um olhar para o outro Não encontrarei o caminho de volta E você também se perderá E se houver silêncio A rota incerta A consciência desperta nos levará de volta ao princípio Fragmentos de luz expandida iluminarão a ausência de som Relógios retrocederão seus ponteiros enlouquecidos O mundo pasmo observará, talvez em êxtase, talvez em pânico, eu e você, nessa viagem no tempo Eu e você, de volta, ao primeiro momento, Eu e você, começando do começo Isso, se houver silêncio

Hoje

Hoje é vazio É dor nos ombros É pescoço duro Hoje é oco É amigos em antidepressivos É falta de fôlego Hoje é nó É refluxo É falta de voz É vazio de esperança É oco de alegria É falta de fé Hoje é o buraco escuro e fundo E amanhã? Amanhã hoje já não é

All the faces I've loved

All the faces of men I've loved visit me in the quiet night of my noisy brain All the ones I once loved and came to hate or forget or pretend to have forgotten Lost in the cloud of indifference  I've carefully created All of them come back  filling the emptiness  of my broken beaten banal heart In this quiet night of my  crowded  noisy brain T hey march firmly towards me stop and stare Inches away and shoot their questions right between my shortsighted eyes Why? Why not? How much? How little? They give me no time to answer They move and vanish like ghosts of the Christmas past Some fierce and revengeful  pass on the judgement they've held in long You! They shout Too bold! Too coward! Too hot! Too cold! Too little! Too much! I try to touch a face or another I remember them Especially the ones I've hidden so well from myself "Hey, look at you! I thought you were no more!" ...

Quando

Quando se é a sombra de uma estrela esparramada sobre o mapa-múndi, cruzando terra e água, longe e perto de sua própria constelação. Quando se está aqui e lá, quando se tem tudo e sempre se quer mais. Quando vão-se os anéis e ficam os dedos e é possível ser "um sem deixar de ser plural". Quando se "vê a linha fina que separa aqui e ali" e, ao vê-la, não se contenta enquanto não a cruza. Quando se quer estar lá e cá e se quer amar, amar, amar.

O pior cego, aquele que tudo vê

Com o que você  se importa? Fica aí no seu cantinho Seus queixumes faz baixinho Meio de lado Nada público Pra não parecer alterado Com o que você se importa?  Tanto pensamento Profundo conhecimento Dá pinta de reservado Tudo escondido  Tudo g uardado Mas é preciso entender Você não pode perder As possíveis concessões Os eventuais favorecimentos As potenciais benesses  Que venham a aparecer Vê Não é cego Vê Permanece mudo Vê E se faz de morto Pra tudo Tudo afunda Tudo afoga Tudo se esvai Mas sua única paixão   É sua tábua de salvação