Skip to main content

Posts

Showing posts with the label Coletivo VERBAL

Sobre os artistas - Para Bruno Sandes

  Créditos da imagem: Jacobs School of Music Marketing and Publicity

Prego

Prego    sustenta Prego fura Prego monta Prego entorta Prego exclama na Itália PREGO!!!! Longe daqui Perto de lá Prego ofende Ô, seu prego! Perto daqui Longe de lá Prego prega quadro em museu Prego pregou gente na cruz Prego está em todo canto E é barato pra chuchu Parece uma coisa besta Mas prego é troço importante Tá na rua, tá no mundo, do sapato à ferradura, o prego é presença constante.

Como sobreviver a tempos áridos

Como sobreviver a tempos áridos: Beba o triplo de água que costuma beber e o dobro de todos os outros líquidos que costuma ingerir.  Use soro fisiológico nos olhos e nas narinas em quantidade abundante. Não o mesmo soro!  3     Passe hidratante pelo menos três vezes ao dia, mesmo que não adiante nada.  4     Coma alimentos leves e “aquosos, como peixes e alfaces hidropônicas.        Leia um poema por dia. Pelo menos um!  6     Durma bem. Nem que tenha que recorrer a pílulas mágicas.  7    Rodeie-se de seres humanos verdadeiros humanos.        Faça arte!  9     Faça amor, mas antes ligue o ar condicionado. E o umidificador      Procure sombras e ande debaixo delas.  1    Caso não encontre sombras, não corra debaixo do sol, cubra a cabeça com o livro de poesia e caminhe  como se  ar  ...

Folha

Fora folha Verde, vívida, pulsando luz em foto e síntese Fora folha Agora, é hora de ser outra coisa da matéria dos sonhos, fina transparência Fora folha Agora, esboço de artista Delicados detalhes de um dia em que fora Folha, fina, finda lenta, transparece o interno Resta, só, a ilusão do que um dia fora folha Resta a raridade do que teve raiz, que dançou com o vento,  que caiu das alturas Fora folha, transparente sendo, quase, hoje já não é mais . É jóia, bela, É outra, é paz.

Origami

Fina e delicada dobradura. Branca, no meio da sala, apresenta-se diminuta, mas multiplica-se em sua sombra projetada. Símbolo da beleza que se estende de mim ao outro e a mim retorna. Pequeno gesto e presente que me traz alento e me lembra porque importa o que faço. Porque depois de escrever alguém dobra um lindo e leve Tsuru e me devolve as asas que eu ajudei a soltar. 

Clarice disse

Clarice Lispector disse “viver ultrapassa qualquer entendimento”. Hoje é aniversário de Clarice e escrevemos todas em volta da mesa. Não nascemos na Ucrânia. No máximo, umas vieram da beira do mar e outras brotaram aqui mesmo, neste cerrado em que nascem vermelhas Caliandras.  Em Clarice pensamos hoje. E juntas em volta da mesa, escrevemos e partilhamos escritos. Mulheres que somos, hoje, unidas em torno deste ofício de desnudar-se at ravés das palavras tal qual o fez Clarice, embora cada uma diferentemente.  Admiro, nelas, os cabelos que caem aos olhos, os fios que escorrem pelas nucas, as canetas que correm pelo papel seguradas por mãos urgentes, e poucas vezes hesitantes, o tec tec do teclado dos laptops. Admiro a fé e a dúvida que compartilham no humano e no divino. Reconheço sua beleza e felicito-me por partilharem comigo e deixarem um pouco de seu ver e seu viver.  Sentadas em volta desta mesa, não interessa se somos Clarice. Não precisamos ser. Homena...