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Showing posts with the label Na água

Tudo e Nada

É, me acostumei com o cheiro forte do verniz. O verniz seca, agora, a nadadora em giz pastel, antes que borre, que apague, que desapareça.  A gente se acostuma com tudo. Ainda mais quando é coisa assim, forte, que aumenta a permanência. Você cresce, envelhece, e nada é permanente. Nada! Quanto mais o tempo passa, mais tudo é nada, mais tudo é fluido e fugaz. E você desiste de domar a vida, e você aceita que não sabe tudo, que não sabe nada. E lê muito, e escreve tratados. E mergulha fundo, em tudo, e não sabe. Não sabe nada! Você caminha, alternando o caminhar: passos firmes, decididos, olhar altivo; passos lentos, cabeça baixa, procurando, procurando, sem nunca encontrar. Tudo e nada! Tudo é tudo e nada! Leve como uma bigorna. É tudo o que é!  Sempre! Nada! E assim você vai, mergulhando, fundo e longe. Vai em apneia! Vai até não aguentar mais. E sobe, de uma vez, à superfície, onde não se vê a margem, onde não dá pé. É lá que você para. Para e enche o pulmão de ar, d...

No Azul II - variações sobre um mesmo tema

O zunido do impulso na água,  as bolhas que se formam,  com as braçadas, acompanhando os contornos  do corpo,  explodindo em mil pequenos  borbulhantes sons,   delicadamente  interrompendo a quietude, o silêncio.  O corpo alongado alcançando o infinito,  O azul que envolve o corpo,  envolve a alma,  sutilmente invade,  gentilmente acolhe. A água,  que cura, que acalma. De onde viemos,  Para a qual voltamos. Nada mais importa,  a não ser a água. Nada é maior do que a água.

No Azul

Entrar no azul Perceber a densidade, A temperatura, A luz que se fragmenta, Se expande. Movimentar-se. Sentir a fluidez, A Resistência.   O impulso. Ir ao fundo. Ouvir sons abafados, Sentir o desejado isolamento, O silêncio. Concentrar-se nos movimentos, Peito, quadris, braços e pernas, Alongados, Contraídos. O ritmo. A respiração. O inspirar e expirar, Constante, Consciente, Até que não mais. O rosto imerso, A água na boca, Os olhos abertos. A cor, Os azulejos, As linhas entre os azulejos. No fundo, pequenos pedacinhos de grama, Trazidos pelo vento, Reverberando suavemente, Os movimentos firmes e compassados. A ida, A volta A ida, A volta, Até que não mais. Só o impulso, O movimento, A força, A plácida resistência do meio. O rosto que queima. A respiração, Sempre, Constante.   O ar, A busca. A água, O retorno, A paz.

De meninas e piscinas

Quando tinha uns sete anos, a família se mudou para uma casa com piscina. Ponderaram que seria importante que aprendesse a nadar. Ouviam, vez por outra, tristes histórias de crianças que se afogavam nos quintais de suas próprias casas e se perguntavam como sobreviver a uma tragédia dessas. Como na tradicional divisão de tarefas, a mãe se comprometeu a levá-la e buscá-la nas aulas. Não que fosse uma dona de casa profissional, exclusivamente dedicada aos duros afazeres do lar e da família. Na verdade, era uma profissional respeitada, mas como mulher de sua geração, acumulava responsabilidades e ainda lhe cabiam os malabarismos dos cuidados da casa, dos filhos e da carreira. Conseguiu um horário no fim da tarde. Saía do trabalho um pouco mais cedo, corria em casa, buscava a menina e levava para as aulas.   Não pensem hoje, as mães que levam seus bebês e crianças às aulas de natação, que havia alguma abordagem especial nas aulas ou equipamentos específicos, como as plataforma...