É, me acostumei com o cheiro forte do verniz. O verniz seca, agora, a nadadora em giz pastel, antes que borre, que apague, que desapareça. A gente se acostuma com tudo. Ainda mais quando é coisa assim, forte, que aumenta a permanência. Você cresce, envelhece, e nada é permanente. Nada! Quanto mais o tempo passa, mais tudo é nada, mais tudo é fluido e fugaz. E você desiste de domar a vida, e você aceita que não sabe tudo, que não sabe nada. E lê muito, e escreve tratados. E mergulha fundo, em tudo, e não sabe. Não sabe nada! Você caminha, alternando o caminhar: passos firmes, decididos, olhar altivo; passos lentos, cabeça baixa, procurando, procurando, sem nunca encontrar. Tudo e nada! Tudo é tudo e nada! Leve como uma bigorna. É tudo o que é! Sempre! Nada! E assim você vai, mergulhando, fundo e longe. Vai em apneia! Vai até não aguentar mais. E sobe, de uma vez, à superfície, onde não se vê a margem, onde não dá pé. É lá que você para. Para e enche o pulmão de ar, d...